• Por: Garantidora Duplique Desembargador
  • 17/01/2013

Cidade protegida de crimes

Projeto que começou a ser erguido na cidade da Guatemala tem edifícios cercados por muros, garagens subterrâneas e telhados com cofres. Edifício do projeto Paseo Ayala tem inspiração na arquitetura colonial Moises Castillo/AP Uma cidade branca, de arquitetura colonial e quase independente começou a ser construída há cerca de dois anos na periferia da Guatemala […]

Projeto que começou a ser erguido na cidade da Guatemala tem edifícios cercados por muros, garagens subterrâneas e telhados com cofres.

Edifício do projeto Paseo Ayala tem inspiração na arquitetura colonialFoto: Moises Castillo/AP
Edifício do projeto Paseo Ayala tem inspiração na arquitetura colonial Moises Castillo/AP

Uma cidade branca, de arquitetura colonial e quase independente começou a ser construída há cerca de dois anos na periferia da Guatemala para proteger os ricos da violência e do trânsito caótico. São 14 hectares de área ocupados pelo projeto Paseo Cayala, que inclui apartamentos, edifícios comerciais, parques, igreja, casas noturnas e restaurantes, tudo isso cercado por grandes e imponentes paredes brancas. Segundo o jornal The Guardian, para fazer parte do novo conceito de moradia, no entanto, é preciso desembolsar pelo menos 70 vezes o salário médio anual dos guatemaltecos. É mais um projeto de segregação de classes.

A construção do Paseo começou em janeiro de 2011 e recebeu o investimento de US$ 66 milhões (R$ 132 milhões) até o momento. Os planos incluem uma igreja neoclássica que acomoda cerca de 700 pessoas. A primeira fase do projeto Paseo tem 110 apartamentos, com preços de venda que variam de US$ 260 mil (R$ 530 mil) até US$ 800 mil (R$ 1,63 milhões). Já as casas valerão em torno de US$ 1 milhão (R$ 2 milhões). Os preços vão muito além do alcance da maioria dos guatemaltecos, cujo salário médio mensal é inferior a US$ 300 (R$ 600). O primeiro dos dois edifícios construídos, no entanto, teve 80% de suas unidades vendidas, segundo informações de um construtor.

Arquitetura que protege

Os carros acessam o Paseo através de uma única porta e entram imediatamente em uma garagem subterrânea de estilo art-nouveau, com escadas rolantes. Os telhados têm cofres. E toda proteção é pouca: guardas de segurança privada ficam escondidos atrás de colunas com seus fones de ouvido, silenciosos e atentos ao movimento das ruas. Assim deverá funcionar a cidade que espera ter expansão para 352 hectares, uma área maior que o Central Park de Nova York.

O projeto tem gerado polêmicas entre urbanistas e arquitetos. Alguns acreditam que essa espécie de fortaleza domiciliar poderá estimular a redução da violência e criar outro tipo de comportamento. Já os céticos afirmam que, além da forte segregação de classes que esta cidade com cara de condomínio fortificado irá gerar, o projeto não vai resolver o problema de um país que tem as mais altas taxas de homicídio do mundo e metade de sua população vivendo na pobreza. Condomínios fechados, áreas residenciais muradas não são novidade no Brasil. E você, acredita que esta é uma solução para melhorar a segurança?

Fonte: O Globo

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